A presença de um cirurgião-dentista nas equipes médicas de clubes e eventos esportivos pode ser a garantia de uma carreira de sucesso para o atleta?
Um pouco de história...
A história da Odontologia do Esporte no Brasil é marcada pela atuação do cirurgião dentista Mário Trigo, falecido em 2008. Pioneiro, acompanhou as seleções brasileiras bicampeãs mundiais de futebol de 58 e 62, além da seleção de 1966. Trigo foi, até hoje, o único cirurgião-dentista a viajar com a delegação brasileira e a receber as faixas de campeão juntamente com os atletas – em 58 e 62.
Na verdade, a presença de Mário Trigo na delegação campeã mundial de 1958 foi o primeiro grande passo para a valorização da Odontologia do Esporte no Brasil. Um eterno apaixonado por futebol, a ponto de jogar algumas partidas pelo Fluminense (como amador), o cirurgião-dentista Mário Trigo chegou à seleção nacional através do médico Hilton Gosling, que conhecera na época da universidade e com quem trabalhara em clubes cariocas. Recém-convocado, Trigo logo viu sua habilidade e senso de oportunismo serem postos à prova: às vésperas da viagem para a Copa da Suécia, em 58, tinha diante de si o desafio de “colocar em dia” a saúde bucal de 33 atletas. Como não havia estrutura de atendimento na CBD (antiga CBF) ele buscou, e conseguiu, o apoio da universidade por onde havia se formado: a UFRJ – à época, Universidade do Brasil. Em seguida, pôs em prática seu “planejamento odontológico”, atendendo os jogadores a partir das instalações da universidade, que ainda cederia seus estudantes de Odontologia. No “time” de Mário Trigo, atuavam 15 estudantes que faziam os exames e encaminhavam ao mestre os casos de cirurgia.
O saldo desse esforço concentrado, embora tenha livrado a seleção das temidas dores de dente, revelou o verdadeiro estado da saúde bucal dos atletas, ao final, tinham sido extraídos nada menos do que 118 dentes – considerando os 33 jogadores, dava uma média de 3,5 dentes para cada um. “Extrações que poderiam ter sido evitadas, se houvesse tempo para o tratamento”, esclareceu Mário Trigo na época. Muitas outras extrações ele conseguiu evitar nos clubes cariocas em que atuou. Trigo notou que os atletas que apresentavam maior demora na recuperação de lesões eram justamente aqueles portadores de focos dentários. A partir daí, desenvolveu a tese que aplicaria na seleção brasileira com sucesso, a do “foco dentário com repercussão à distância”: segundo a qual, a bactéria do foco dentário, após um tempo, entra na circulação sanguínea, espalhando-se como uma metástase e minando o sistema imunológico. Nesse caso, a única forma de acelerar a recuperação do atleta lesionado é tratando o foco dentário.
Saiba mais... |